Durante sua evolução, as plantas apresentaram grande diversidade de características, as quais permitiram sua sobrevivência em diferentes ambientes. Na imagem, cinco dessas características estão indicadas por números.
A aquisição evolutiva que permitiu a conquista definitiva do ambiente terrestre pelas plantas está indicada pelo número
A) 1.
B) 2.
C) 3.
D) 4.
E) 5.
A figura exibida no enunciado apresenta algumas etapas da evolução dos grupos vegetais sob a forma de um cladograma simplificado.
O primeiro passo para resolução consiste em identificar as quatro divisões do reino Plantae (Metáfita). Hepáticas, antóceros e musgos constituem a divisão briófita. Apesar de apresentadas como grupos separados licófitas (licopódios, Isoetes e Selaginella) também são consideradas pteridófitas, juntamente com as samambaias, cavalinhas e Psilotum. Já as divisões gimnosperma e angiosperma estão devidamente individualizadas no cladograma.
O segundo passo é analisar os eventos apresentados no cladograma. Cada número representa uma característica – identificada na legenda. Essas características estão presentes em todos os grupos cujos ramos partem do ponto indicado pelo número. Assim, a característica indicada pelo número 1 (embriões protegidos no gametófito) está presente nas quatro divisões de vegetais, porque qualquer ramificação que parte de 1 levará, invariavelmente, a um dos representes dos grupos de plantas. Essa característica só não é observada na alga verde ancestral (dos vegetais), pois a característica 1, conforme se pode visualizar no cladograma, surge depois desse organismo. Em outras palavras, não há ramificação de 1 para a alga verde ancestral.
A característica 2 (tecidos condutores verdadeiros) ocorre nas pteridófitas (lembre-se de que esse grupo inclui as licófitas), as gimnospermas e angiospermas, ou seja, plantas traqueófitas (=vasculares). Nenhum dos ramos que parte de 2 leva às briófitas (hepáticas, antóceros e musgos), pois essa divisão é constituída por plantas avasculares.
Já a característica 3 (formação de tubo polínico) é verificada apenas nas gimnospermas e angiospermas. Por isso esses vegetais são classificados como sifonógamas. Pelo fato de produzirem tubo polínico, as plantas pertencentes a essas divisões não dependem da água (livre no ambiente) para realizar sua reprodução. Briófitas e pteridófitas são plantas assifonógamas, pois não produzem tubo polínico e, como consequência, dependem da água para reprodução.
A única situação representada no cladograma que não reflete a realidade (mas não afeta a resolução da questão), diz respeito à característica 4. Essa característica – polinização pelo vento ou anemófila – não é exclusiva das gimnospermas como o cladograma faz parecer. Acrescentei a figura original, retirada do livro Biologia de Campbell (pág. 617, 10ª Edição) na qual se baseou o autor dessa questão da prova do ENEM 2019 (questão 128 – caderno amarelo) para que você possa comparar. Perceba que, para a prova, a figura foi modificada (conforme indica a legenda da própria figura) e, nessa modificação, foram acrescentados os números 4 e 5. De fato, a polinização das gimnospermas é exclusivamente anemófila, mas há angiospermas também polinizadas pelo vento (o milho, por exemplo). A característica 5 (produção de frutos) é exclusiva das angiospermas.
A questão solicita a aquisição evolutiva que permitiu a conquista definitiva do ambiente terrestre pelas plantas. O que permitiu que os vegetais conquistassem definitivamente o ambiente terrestre foi a independência da água para sua reprodução e isso foi obtido pelas gimnospermas e angiospermas com a capacidade de produzir o tubo polínico, estrutura responsável por transportar os gametas masculinos (núcleos espermáticos) do grão de pólen até a oosfera (gameta feminino). Portanto, a resposta está na alternativa C. [É importante ressaltar que, na realidade, a conquista definitiva do ambiente terrestre pelos vegetais resultou não apenas da independência da água para reprodução. Foram também relevantes o desenvolvimento de tecidos condutores de seiva, de órgãos e tecidos de sustentação do corpo da planta, de mecanismos para redução da perda de água por evaporação, dentre outros.]
A seguir, a figura que serviu de referência para elaboração dessa questão.
Se até as plantas evoluíram e já não precisam da água para se reproduzir…
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